Problemas e carências do local
Numa primeira abordagem visual e no decorrer do levantamento fotográfico fomos identificando algumas carências do local. Para além do estacionamento indevido numa área que se pretende pedestre, deparamo-nos com outra situação, as casas de madeira de apoio aos pescadores, que teriam um carácter provisório, não fosse o facto de lá permanecerem em estado de degradação, condicionando fortemente o espaço.
Existem vestígios de uma anterior intervenção, que sugerem um espaço de estar, de passeio, mas que pelo estado degradado e vandalizado, não convida ninguém a lá ficar ou a usufruir dele.
Para além destas situações existem ainda as deficiências a nível de iluminação, de degradação dos caixotes do lixo, para além do vandalismo estampado nas paredes e um pouco por toda a praceta.
Linha orientadora
Desta forma estabelecemos que não faria sentido uma intervenção sem a reabilitação da área. Parece-nos evidente que tenham que se criar condições para que a intervenção resulte.
Tendo em conta o contexto em que o espaço se insere, numa zona histórica, junto da muralha e com uma vista privilegiada sobre a ria, pareceu-nos importante manter o propósito da anterior intervenção, até porque a cidade não tem muitos espaços de estar, ao ar livre, dedicados inteiramente às pessoas. Surgiu assim a base sobre a qual íamos desenvolver o nosso projecto.
Pesquisa e crítica
Ao longo do processo de pesquisa fomos percebendo a importância histórica e estratégica do local, a funcionalidade, a movimentação de pessoas e mercadorias na zona e nas suas imediações, que se perderam ao longo dos tempos, ao longo do crescimento da cidade, que potenciou fortemente a descentralização da zona histórica. Durante muito tempo no local se efectuou o mercado das verduras, do qual tentamos obter algum registo, mas sem sucesso.
Aliás, foi uma busca árdua e desgastante esta, de tentarmos obter mais informações ou registos através das entidades que, supostamente, tinham competências para o fazer.
O que é certo é que para além do que conseguimos através dos nossos próprios meios, quer através da internet, da biblioteca Municipal Ramos Rosa ou das várias bibliotecas da Universidade, não conseguimos mais nada a não ser, uma entrada directa para jogo do empurra. Tivemos contacto visual com fotografias que documentavam o mercado das verduras, mas para podermos aceder-lhes tivemos de pedir autorização por e-mail, ao qual não nos foi dada resposta, nem sequer negativa.
Entre o “ping-pong” que fizemos do Museu para a Câmara e da Câmara para o Museu percebemos que no Museu se faz muito pouco serviço informativo e educativo sobre a história da zona. Concluímos então que o nosso grupo tinha um conceito de Museu muito diferente da realidade dos factos.
No que diz respeito à Câmara, mais precisamente ao departamento de obras, disseram-nos que ali não íamos conseguir informações e muito menos um levantamento da zona, uma vez que não tinham nada a ver com o espaço. Concluímos assim que o nosso espaço é terra de ninguém, ninguém sabe, ninguém viu, a documentação da anterior intervenção não existe, não existe um levantamento da área, logo pareceu-nos pertinente passarmos directamente à acção e começar a intervir já no espaço, porque assim sendo podemos lá fazer o que quisermos que não temos de prestar contas a ninguém.
Bem, ironia à parte, existe uma evidente má vontade em colaborar, em informar, em esclarecer, mas existe um à vontade extraordinário em passar a batata quente.
Conceito
Decidimos então que iríamos fazer uma ligação ao passado, pegando no conceito do mercado das verduras, transportando-o aos dias de hoje, sob a forma de um espaço de estar e fazendo também a correspondência com a tradição pesqueira, pela proximidade da ria, conectando assim a terra e o mar.
Outra das questões que suscitou dúvidas foi que tipo de intervenção se adequaria ao espaço, mas percebemos logo que podíamos apanhar boleia da necessidade de reabilitação do local e em vez de intervirmos sob forma de uma ou mais esculturas decorativas, intervirmos artisticamente em todos os componentes deste projecto, desde os bancos aos caixotes de lixo, ou seja, o nosso projecto é no fundo a reabilitação do local de uma forma artística. Em vez de criarmos um grande elemento artístico, repartimos a vertente artística por todos os elementos que são necessários.
Público alvo
Outra das necessidades que se foi revelando aos poucos, pelo olhar atento e crítico que temos dispendido à cidade em busca de carências ou falhas, foi a inexistência de um espaço para a família, sobretudo que privilegie as crianças, um espaço lúdico, onde a família possa usufruir do espaço, da paisagem e onde as crianças se entretenham de forma educativa.
Esta ideia vem na sequência da movimentação de crianças e adolescentes na zona, devido ao Centro de Ciência Viva, sendo que para além do centro não lhes é oferecido mais nada naquela zona.
A juventude é difícil de agarrar a alguma coisa e talvez tenha sido esse o factor que nos suscitou mais interesse, deu-nos uma certa motivação. O objectivo é fazer com que as pessoas se desloquem ao local para passarem um bom momento, e aquelas que só iam de passagem sintam vontade de ficar, e as crianças que se desloquem ao Centro de Ciência Viva possam o lá ir fazer a merenda e se interessem pelo exterior, pelo ar livre.
M.F.
terça-feira, 19 de maio de 2009
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